Monday, December 18, 2006

A Ironia do Fatalista

Tento acender uma luz. O que procuro? Não sei ...
Não lanço os dados com medo que a sorte seja mais mulher do que eu. Não espero recompensas nem dias felizes. Não subo com medo de cair nem me escondo com medo de não ser procurada. Quero de volta a minha redoma de vidro da passada infância. Nessa altura eu sabia não me preocupar e sentia-me bem por isso. E as coisas tornam-se simples quando não queremos saber delas.
Aceno para o centro de mim. Falo para o monstro que vive no meu umbigo mas ele não parece preocupado.
Eu não conto a ninguém que estás aí e tu finges que me vais ouvindo – peço-lhe eu com um carinho que não sabia existir. Nasce um acordo com cheiro a verniz servido para dois. É a ironia do fatalista ...


Como se haviam encontrado? Por acaso, como toda a gente. Como se chamavam? Que vos interessa isso? Donde vinham? Do lugar mais próximo. Para onde iam? Sabe alguém para onde vai?
                                                                                                                                                Denis Diderot